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As marcas brasileiras autuadas por trabalho escravo

15 setembro 2015


Na hora de comprar alguma peça nova, gosto sempre de levar em consideração, além da qualidade da roupa e preço, a empresa que a fabricou. Muitas marcas de roupa no mundo todo utilizam (ou compram de oficinas que utilizam) trabalho escravo nas suas confecções.

O Ministério do Trabalho e Emprego já divulgou diversas "listas sujas", que infelizmente não podem mais divulgadas pelo próprio órgão, mas ainda estão na internet.

Nas listas mais recentes, várias empresas que conhecemos estão presentes. Organizei em um gráfico alguns nomes pra ficar mais fácil de visualizar:







Na oficina que vendia roupas para a Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d'Água e Tyrol, os trabalhadores eram mantidos alojados dentro da própria confecção. Eles trabalhavam até 14 horas por dia e recebiam entre R$ 0,12 e R$ 0,20 por peça. Muitos eram estrangeiros e, logo que chegavam, ficavam até três meses sem receber, para cobrir os custos da viagem. Os costureiros eram mantidos dentro da oficina, com portões cadeados, e não podiam sair sem autorização.

A Renner também entrou para a lista. 37 bolivianos foram encontrados em regime de escravidão em uma oficina de costura terceirizada. A Renner comunicou na época que desde que foi notificada passou a trabalhar em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego para garantir o cumprimento das leis trabalhistas. Segundo eles, os fornecedores assinam compromissos de respeito à legislação trabalhista e toda sua cadeia é fiscalizada.

Na oficina que vendia para as lojas Pernambucanas, os costureiros trabalhavam em um ambiente todo fechado, sem nenhuma ventilação. O local tinha só uma porta, que ficava fechada todo o tempo. O valor recebido por peça ficava em torno de R$ 1. As refeições que eles faziam eram descontadas, almoço e jantar custavam aos costureiros R$ 15 por dia. Os trabalhadores eram contratados para trabalhar em oficinas pagas pelas empresas Dorbyn Fashion Ltda. e Nova Fibra Confecções Ltda. Estas duas eram contratadas pelas Casas Pernambucanas para a produção de roupas. A rede de lojas afirmou que, depois da denúncia, criou uma diretoria que analisa a sua cadeia de fornecedores. Desde 2012, a empresa é signatária do Pacto de Erradicação do Trabalho Escravo.
 

A Gep, dona de marcas como Emme, Luigi Bertolli e Cori, tinha uma oficina de costura onde trabalhavam bolivianos em péssimas condições. A empresa foi autuada em R$ 1,1 milhão pelo Ministério do Trabalho e Emprego e teve que pagar R$ 450 mil por danos morais. Alguns cumpriam jornadas de até 12 horas de trabalho sem descanso semanal. O valor pago por peça variava de R$ 2,50 a R$ 7. As peças produzidas eram vendidas nas lojas por até 100 vezes mais. Foi incluída na "lista suja" em 2014. Aqui vocês podem ler a nota de esclarecimento da empresa. A oficina também vendia para a Bo.Bô e Le Lis Blanc.

A Zara, em 2011, também ficou conhecida por utilizar esse tipo de trabalho. Na oficina de costura em São Paulo, alguns trabalhadores bolivianos ganhavam R$ 2 por peça produzida, em oficinas de costura terceirizadas.

A M5 Têxtil, dona da M. Officer e Carlos Miele, também já foi autuada. Durante a fiscalização, a empresa não assumiu a responsabilidade pelos trabalhadores e se negou a firmar acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego. Os trabalhadores tinham que pagar despesas da oficina, como luz, água, produtos de limpeza e de higiene. Esse valor era descontado dos salários e eles recebiam R$ 7 por peça produzida. Nas lojas da M. Officer as peças custavam cerca de 50 vezes mais.


A Marisa não consta no gráfico, mas sofreu 43 autos de infração. Nenhum dos costureiros que trabalhavam para a marca tinha Carteira de Trabalho e Previdência Social assinada. Porém, em 2010, a marca foi absolvida no caso de trabalho escravo flagrado na oficina.

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